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sábado, 6 de março de 2010

MOVIMENTO DOS SEM VACINA


O Ministério da Saúde divulgou o calendário de vacinação contra a famigerada gripe H1N1 ou Influenza Pandêmica ou ainda Gripe Suína. Teorias conspiratórias, talvez oriundas das mesmas fontes que "garantem" que se Dilma for eleita dividiremos nossas casas com comunistas ou que Serra vai acabar com o Bolsa-Família, também se eleito, dizem que a tal gripe é uma ação de laboratórios internacionais inescrupulosos, cujo objetivo é a venda de medicamentos e vacinas. Cada uma... Bom, vamos adiante. Confira as datas e os grupos da população que serão vacinados:
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CRONOGRAMA DE VACINAÇÃO DOS GRUPOS PRIORITÁRIOS
Trabalhadores da rede de atenção à saúde e profissionais envolvidos na resposta à pandemia e indígenas- de 08/03 a 19/03
Gestantes (mulheres que engravidarem após esta data poderão ser vacinadas nas demais etapas da campanha) - de 22/03 a 02/04
Doentes crônicos – (Idosos com doenças crônicas serão vacinados em data diferente, durante a campanha anual de vacinação contra a gripe sazonal) - de 22/03 a 02/04
Crianças de seis meses a menores de dois anos -de 22/03 a 02/04
População de 20 a 29 anos - de 05/04 a 23/04
CAMPANHA NACIONAL DE VACINAÇÃO DO IDOSO
Pessoas com mais de 60 anos vacinam‐se contra a gripe comum. Aqueles com doenças crônicas também serão vacinados contra a gripe pandêmica - de 24/04 a 07/05
População de 30 a 39 anos - de 10/05 a 21/05
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O objetivo da campanha, de acordo com o Ministério da Saúde, é vacinar 110 milhões de pessoas. No momento em que escrevia esse post, o IBGE informava que a população do Brasil era de 192.585.801, o que representa cerca de 57% da população no perfil prioritário da vacinação.
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Estou fora. Não sou "target". Não me encaixo em nenhum perfil. Tenho 48 anos, não sou índio, não trabalho na área de saúde, felizmente não padeço de nenhuma doença crônica e a possibilidade de eu vir a engravidar é bem remota -sabe como é, na minha idade é mais difícil. Sou corintiano, o que poderia explicar uma certa dificuldade com a gripe "suína", mas aí acho que estou exagerando.
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De toda forma, o Ministério da Saúde assegura que "se houver alterações na situação epidemiológica e disponibilidade da vacina, outros grupos poderão ser vacinados, em novas etapas da estratégia nacional de imunização". Tomara que não. Já estou com meu arsenal de rezas, orações, mandingas, catiças, figas, patuás de olho de lobo, novenas, imagem de São Jorge e tudo o mais com que os céus possam contribuir para que a campanha seja suficiente, além do álcool gel. Não que eu tenha medo de vacina -sempre me dei bem com elas, nem tenho aquela marca no braço da vacina contra varíola, que caracteriza minha geração.
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No universo sulfuroso ainda não vi grandes movimentos pró-vacinação, exceto o anúncio nacional com Marco "Lineuzinho" Nanini e a informação de que em 25/2 aconteceu uma reunião de representantes de 54 municípios da região, envolvidos na vacinação para "discutir estratégias". Mas o assunto é sério e tão logo tenha mais detalhes informarei. Por enquanto, se você se enquadra no perfil do calendário lá em cima, agende a data.
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O PAPEL DA IMPRENSA

Passou despercebida para boa parte da população de Poços de Caldas a data de 15 de agosto de 2009. Trata-se dos 120 anos de fundação do primeiro jornal da cidade, o "Correio de Poços". Nem mesmo o recém-lançado Jornal da ASI (a cinquentenária Associação Sulmineira de Imprensa) atentou para o fato. Uma pena.
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Mais importante do que cortar o bolo e apagar velinhas, o momento é de discussão do papel da imprensa na cidade. Orgulho-me de praticar uma das veias mais difíceis do jornalismo, que é o "opinativo", amparado pelo sagrado direito constitucional da liberdade de expressão, evidente que com a seriedade que o assunto exige e, principalmente, responsabilidade. Essa liberdade de expressão é um dos alicerces da democracia, uma vez que contribui definitivamente para a formação de opinião dos temas de interesse da sociedade e, por consequência, a inclusão do ser humano no que chamamos "cidadania".
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Esse comportamento, essa influência que a imprensa exerce sobre um grupo social, transforma a mídia em vítima imediata e inicial de qualquer regime totalitário. Felizmente estamos longe disso e, não fosse a imprensa, muitas das barbaridades hoje conhecidas sequer teriam saído dos porões da direita e da esquerda, para lembrar o passado recente dos chamados "anos de chumbo".
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Jornalistas com ou sem diploma não são paraquedistas, que aparecem de repente. Os consagrados, os que têm espaço garantido em qualquer meio de comunicação, mesmo os que estão começando na carreira mas já demonstram a que vieram, todos trazem em comum a paixão pelo ofício. Ninguém é jornalista por falta de opção. O mercado percebe, o dono do jornal percebe e -principalmente- o leitor percebe. Se for bom, coerente em seus posicionamentos, duro porém justo, será reconhecido e terá o respeito até de alguns que critica. Como são os muitos profissionais de imprensa de Poços de Caldas.
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O exposto acima serve de linha de pensamento para expressar um curioso -porém conhecidíssimo e previsível- comportamento que desde sempre afeta a classe política brasileira, claro que Poços de Caldas incluída: diante da crítica por um erro, deslize, falha ou descuido, imediatamente as vozes se levantam contra a imprensa, essa "vilã", sempre a colocar o dedo nas feridas mais doloridas.
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É emblemático o caso recente da nossa Câmara Municipal em relação ao "Hospital do Câncer", em que oito dos doze vereadores redigiram e assinaram (depois quatro retiraram seus autógrafos) um ofício ao Secretário Estadual de Saúde questionando uma decisão daquela Pasta e, pior, solicitando "uma aplicação mais racional desse importante recurso", os R$ 10 milhões para a implantação do projeto.
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"Muito ajuda quem não atrapalha" teria sido um bom título para uma reportagem de primeira página sobre o assunto. Como esperado, nossos edis não digeriram com galhardia a crítica da imprensa, tratando o assunto como "especulação de toda a mídia local" e tecendo comentários como "espero que não digam que somos contra isso também" em plena sessão da Câmara, conforme foi possível testemunhar ontem (18/8), ao vivo no plenário ou pela transmissão na internet.
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Uma "representante do povo" chegou a dizer que a Câmara é um Poder e pediu "providências" ao presidente da Casa, após dizer que por pouco não foi "execrada". Estou curiosíssimo para saber quais serão essas providências. Não por coincidência, a mesma vereadora ocupa espaço de destaque esta semana na mídia como autora de importante lei, já sancionada, que concede benefício aos pacientes usuários de oxigenoterapia em casa, que não pagarão o custo adicional de energia elétrica pelo uso do equipamento. Aplausos!
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Feliz da cidade que não tem um imprensa de "carneirinhos", e que pode cumprir uma de suas primordiais missões, a fiscalização dos atos públicos. E, se ainda há políticos não preparados ao convívio com a imprensa e, principalmente, com a crítica, que desistam da arte ou se adaptem à convivência democrática. Só em Poços de Caldas são 120 anos de atividades jornalísticas. Mandatos, esses duram apenas quatro anos.
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Para finalizar, trecho de um discurso de Roberto Civita, presidente da Abril, em 2005: "Num mundo cada vez mais interligado e complexo, com cada vez mais informação disponível em todas as frentes 24 horas por dia, nossa tarefa passa a ser -cada vez mais- separar o relevante do não relevante, de selecionar o que mais interessa e mais importa do resto, e -principalmente- de tentar organizar e explicar o que isso tudo significa para um público com cada vez mais alternativas de diversão, cada vez mais interesses e... cada vez menos tempo".
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sexta-feira, 24 de julho de 2009

MÁS INFLUENZAS

Demorou mas chegou: Poços de Caldas confirmou ontem o primeiro caso de gripe Influenza A (gripe "suína") na cidade. Era esperado, por conta do trânsito de turistas, clima frio e outros fatores que contribuem. O caso informado é de um morador que teria contraído a doença por ocasião de uma viagem a Buenos Aires, Argentina e já está curado.
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O que é assustador é a questão do prazo, já que demoramos quase 30 dias para saber do fato. Reportagem do Jornal de Poços de hoje (24/7) diz que "o paciente retornou ao Brasil no dia 21 de junho, começou a apresentar os sintomas no dia seguinte e procurou médico da rede particular". No dia 27 de junho foi feita a coleta do exame e o paciente foi acompanhado até 22 de julho, de acordo com a Vigilância Epidemiológica de Poços.
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Nós, cidadãos, só ficamos sabendo quando? Exatamente ontem, um dia depois! Gostaria de entender a razão de tanta demora, e que não seja "excesso de pedidos de exames". O recém emposado secretário de saúde afirma, na mesma reportagem, que "o vírus não existe em Poços de Caldas, uma vez que foi 'importado' da Argentina". Porém, a secretaria aguarda o resultado de mais sete exames e há uma pessoa sendo monitorada, mais dois cujas amostras foram colhidas ontem.
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Impossível não lembrar do caso da dengue ano passado, em que uma mulher ora tinha dengue, ora não tinha, depois tinha de novo, depois nunca teve. Até hoje pela manhã o site da prefeitura não traz qualquer informação oficial sobre o assunto.
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Para saber mais sobre a doença, consulte o site do Ministério da Saúde pelo link:
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terça-feira, 12 de agosto de 2008

GRIPPE HESPANHOLA

Há 90 anos o mundo era assolado por uma doença terrível, denominada “gripe espanhola”. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, “a gripe espanhola – como ficou conhecida devido ao grande número de mortos na Espanha – apareceu em duas ondas diferentes durante 1918. Na primeira, em fevereiro, embora bastante contagiosa, era uma doença branda, não causando mais que três dias de febre e mal-estar. Já na segunda, em agosto, tornou-se mortal. Enquanto a primeira onda de gripe atingiu especialmente os Estados Unidos e a Europa, a segunda devastou o mundo inteiro: também caíram doentes as populações da Índia, Sudeste Asiático, Japão, China e Américas Central e do Sul”.

A epidemia chegou ao Brasil no final de setembro de 1918, junto com os marinheiros que desembarcaram doentes no porto de Recife, vindos de Dakar, na África. Logo, surgiram casos de gripe em outras cidades do Nordeste, São Paulo e Rio de Janeiro, então a capital do país.

Ainda segundo a Fundação Oswaldo Cruz, “as autoridades brasileiras ouviram com descaso as notícias vindas de Portugal sobre os sofrimentos provocados pela pandemia de gripe na Europa. Acreditava-se que o oceano impediria a chegada do mal ao país. Mas, com tropas em trânsito por conta da guerra, essa aposta se revelou rapidamente um engano. Tinha-se medo de sair à rua. Em São Paulo, especialmente, quem tinha condições deixou a cidade, refugiando-se no interior, onde a gripe não tinha aparecido. Diante do desconhecimento de medidas terapêuticas para evitar o contágio ou curar os doentes, as autoridades aconselhavam apenas que se evitasse as aglomerações”.

A estimativa é de que entre outubro e dezembro de 1918, 65% da população adoeceu. No Rio de Janeiro foram registradas mais de 14 mil mortes, enquanto em São Paulo pelo menos outras 2 mil pessoas morreram. Não há dados concretos, mas estima-se um número de mortos por gripe espanhola em todo o mundo entre 20 e 40 milhões.

Poços de Caldas não escapou da epidemia, conforme nos deixou escrito o Doutor Mario Mourão: “Logo depois surgiram os dias torvos de Outubro e Novembro de 1918. A grippe hespanhola espalhou o terror e a morte na cidade, tendo sido Poços de Caldas uma das cidades mais castigadas, sendo de notar que todos os medicos enfermaram e, que houve um dia de 40 óbitos, sendo os cadaveres transportados para o cemiterio por um pobre idiota, chamado Lafayette, que deixava os corpos insepultos pelas ruas da cidade. Foi uma epocha de calamidade e de horror”.

Não pense que estamos livres de passar novamente por tragédias desta magnitude. Apesar da evolução constante da medicina, questões como o mundo globalizado e a facilidade de deslocamento -aliados a sistemas de prevenção falhos ou inexistentes e péssimas condições sanitárias- podem acelerar a proliferação de qualquer doença contagiosa em questão de dias. E aí vai ser sempre aquele “Deus nos acuda”, como vimos recentemente em nosso vizinho Rio de Janeiro, com a dengue hemorrágica.