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sábado, 9 de janeiro de 2010

"QUANDO EU TE PEGAR, VOCÊ VAI VER!"

Se tem um assunto irritante são as tais "leis que não pegaram". Em geral, esse discurso vem das mais altas autoridades, provando-se incompetentes para fazer cumprir as leis que elas mesmas criam, votam e aprovam. Tratam sempre o assunto na terceira pessoa, como se não fosse problema de sua alçada. A culpa é dos outros.
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Em 7/12/09 a Municipalidade publicou nota amplamente reproduzida pela imprensa local, informando que "veículos utilizados para propaganda volante com sistema de som fora dos padrões permitidos por lei estão na mira da Secretaria de Serviços Públicos e terão que se enquadrar, ainda neste ano, às normas determinadas pela legislação municipal", destacando que “nossa intenção não é impedir que as pessoas ganhem o sustento da família, mas não podemos permitir exageros”. A nota trouxe ainda a informação de que "fiscais de postura da Secretaria de Serviços Públicos e do Departamento de Meio Ambiente da Secretaria de Planejamento realizaram ação conjunta na área central para identificar irregularidades no uso comercial de equipamentos sonoros".
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Ótimo. Só não soltei fogos por razões óbvias. Mas nada como um dia após o outro para que o rigor público acabe na velocidade do som. Ontem (08/01) fui almoçar no centro e meus ouvidos foram brindados com a propaganda que vinha de um desses carros. Qual é o grau de perturbação que um lixo de comunicação como essa representa? Muito simples, e nem é preciso um decibelímetro: bastou eu ter que interromper uma conversa, já que meu interlocutor não conseguia entender minhas palavras. E olha que, como bom descendente de italianos, não sou exatamente um "fala mansa".
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Outro ponto: esse discurso de quem faz as coisas mal feitas ou erradas justificar com "estou trabalhando honestamente" ou "poderia estar roubando" está esgotado. Essa forma de poluição sonora travestida de propaganda (indesejada e obrigatória, já que dela não se escapa) é nefasta, ainda mais numa cidade em que turistas buscam sossego. Aí, se vão prestigiar o comércio da Rua Assis, por exemplo, são forçados ao "massacre auditivo".
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A Municipalidade agiu com rigor naquele caso do painel eletrônico da mesma rua, e deve ter o mesmo rigor com essa fantástica fábrica de poluição sonora que permeia o centro e alguns bairros. Que não é gerida por coitadinhos ou miseráveis -não sei de ninguém que ganhou carro com sistema de som de presente. Nem combustível. São quase sempre empresas constituídas.
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Para finalizar, adoto a regra de não comprar ou consumir de quem contamina meus ouvidos. Sou "cliente perdido". O pior é que entre um anúncio e outro do carro de som que citei acima, a música de fundo, na voz de Ivete Sangalo, esgoelava: "Quando eu te pegar você vai ver, você vai ver".
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Pegou mesmo. Lá no fundo dos meus tímpanos. Mas meu dinheiro esses comerciantes-anunciantes não pegam!
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Foto: ótima imagem feita pelo amigo Albert Cagnani, no centro de Poços. É o exato momento do encontro de um ouvido cansado com um desses carros de som. Clique nela para ampliá-la.
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domingo, 12 de outubro de 2008

"TURMINHA DO BARULHO"

O que será que campanha eleitoral, Casas Pernambucanas, Magazine Luiza, Ultragaz, Passeio Ciclístico e almoçar no centro de Poços têm em comum? Fácil. Todos são focos de ruídos insuportáveis.

Pois é. A campanha eleitoral foi um show de desrespeito aos ouvidos, em especial as de Paulinho Courominas e Paulo Tadeu, cada qual com seu "jingle", sua musiquinha: "bom de serviço..." ou "vote certo pra ganhar...". Cansaram, mas felizmente passou rápido.

Os demais, exceto o "passeio ciclístico da primavera", que espero só aconteça nas próxima primavera (lembra do Rock´n´Rio Lisboa?), vão continuar a nos atormentar sabe-se lá até quando.

Não consigo entender alguém reunir um grupo enorme de ciclistas para festejar a chegada da "mais bonita das estações" e este passeio ser escoltado por sirenes em volume altíssimo, mais um caminhão de som com um sujeito "esguelando" ao microfone. Foi o que aconteceu neste sábado (11/10). Qual é a dificuldade de fazer um passeio silencioso, no qual os participantes -teoricamente esportistas ou não, mas que apreciam o contato com a natureza- possam dedicar sua atenção ao que há de bonito ao longo do trajeto? Não. Tem que ter barulho, e alto, caso contrário algum boçal pode dizer que "fica monótono".

Magazine Luiza e Pernambucanas podem ser classificadas de intoleráveis. Grandes redes, grandes verbas para investir em mídias como tv, rádio ou jornal, não precisam de carros de som tocando "sua vida faz a nossa vida" ou alardeando a promoção do "Caminhão do Faustão". Moro no décimo andar do edifício e quando passam pela minha rua tenho certeza que estão na janela, tão alto é o som. Parece que voam. Além disso, ambas gostam de "colocar a banda na rua", tocando nas portas das respectivas lojas "música" de gosto duvidoso ou zero. Semana passada, passei em frente ao Magazine Luiza e a música que estava tocando era "vem aqui que agora eu tô chamando, vem meu cachorrinho a sua dona tá mandando". Cachorrinho? Saí correndo...

Sabe o que faço? Simplesmente não compro nada nem de uma nem da outra. "Deletei" ambas da minha preferência. Quando (e se) respeitarem meus ouvidos, posso mudar de idéia, um dia. E não me venham com a conversa de que "está dentro dos decibéis permitidos por lei". Se me incomodou está acima dos decibéis que eu tolero. Jato decolando também está dentro dos decibéis da lei, e nem por isso deixa de incomodar.

Para Ultragaz e sua representante local já mandei uma dezena de emails, até para a Ouvidoria da empresa. Deram retorno, mas sem efeito. Toda manhã um caminhão percorre as ruas próximas da minha casa buzinando insistentemente. Inacreditável. Como estou no alto, dá para acompanhar a volta toda do buzinaço pelos quarteirões. Não raro há mais de um caminhão ou um combalido Toyota Bandeirante em ruas próximas, tocando em "harmonia", sonorizando meu café da manhã. Reclamei, mas não adiantou. Justo a Ultragaz, que anos atrás criou uma musiquinha muito boa, denominada "Sinos da Rua", para combater o desgastado "Pour Elise" eletrônico que infernizava nossos ouvidos. Esta também foi fácil. Troquei de marca.

Já o almoço diário no centro virou um tormento. Ora é o restaurante X, ora a loja Y, cada qual anunciando num carro de som. Às vezes há dois carros juntos, alto volume, baixa velocidade. É sério. Você já viu? Fazem questão de andar "beeeeem devagariiiiinho"... Ou seja, além de atormentarem com o som, ainda por cima atrapalham o trânsito. Há até alguns "importados", como um Gol com placas de Limeira, SP. Sensacional: não bastam os barulhentos locais, temos os de fora também. Mas são todos "bonzinhos": pelo menos quando param no semáforo diminuem o volume do som.

Se você não sabe, apenas para referência: operar uma fábrica que não polui o meio ambiente exige licenciamento ambiental em todas esferas (Departamento Municipal, Secretaria Estadual, IBAMA). Carro de som não. Basta colocar uma caixa de som na capota ou lotar a caçamba da pickup com alto-falantes. Sem pedir licença nem perdão.

Poluição sonora é tão grave quanto poluir o ar ou os rios. A quem afeta? Todos nós! Vai ser uma tarefa difícil para o novo prefeito resolver. Mas tem que resolver. Deixar quieto é que não pode. Até porque se deixar quieto vai ser uma barulheira infernal!

Fora isso há o argumento dos poluidores: "estamos trabalhando, é melhor que roubar", que todo sujeito que atua na informalidade usa. Roubar dá cadeia. Poluição sonora não.
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Bom mesmo é o sujeito do milho, que tira "na garganta": "Ôpa, ó o mio verde!!!"
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